A porta rangeu e o "demônio" virou marketing
Uma história sobre sincronicidade e meleca [...]
🚪 O RANGIDO DO EGO: MARKETING ESPIRITUAL E GENTILEZA ☕
Um 'susto'. → A porta rangeu. Uma marca de luxo. → O Demônio. Um sonho de paz. → O exorcismo cortês. Uma lei da alma. → Sincronicidade.
E o momento em que a meleca virou omelete [...]
Crônica de desmistificação. Humor + Jung + Sincronicidade.
O mal é vaidoso e gosta de títulos ✅ A gentileza é o maior susto do “inimigo” ✅ O mundo + confusão para ter poesia ✅
BEM-VINDO AO LABIRINTO. 🚪 A porta está aberta. O café está quente.
NOTA: Um fluxo de consciência que nasceu de um rangido de porta e terminou em um sonho sincrônico.
Entre! Não tenha medo! Deixe o porrete lá fora!
Ao caminho do jardim, ouço a porta ranger, penso brincando: eita, que coisa. Deve ser algum bichão. Se fosse criança, teria medo; vai que algum demônio estava a rondar. Risos.
Fez-me refletir: quem deu nascimento à palavra e conceito demônio? Serve mais para assustar mentes neuróticas do que para explicar algo.
Mas entendo, há beleza nessa criação; é humano, demasiado humano. Criamos para identificar um inimigo, no entanto não é um inimigo qualquer... é um demônio! Soa melhor para a imaginação.
Vou deixar a real, o termo que Jesus utilizou já era o suficiente: “Espírito imundo”. Jesus era tão gentil que humanizou o espírito trevoso. Ora, a vida do maligno já deve ser difícil; para quê chamá-lo de demônio?
Ah, já sei! Foi o próprio espírito que criou o termo demônio — marketing espiritual. Como ele iria se diferenciar dos parceiros? “Eu sou o demônio! Bem diferente de vocês, ralés/pés-rapados”.
Isso sim explica; não é porque o espírito desencarnou que deixa de ser humano. Ora, vai com toda a bagagem da Terra, incluindo a vaidade.
Tenho visto todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo é vaidade e aflição de espírito. (Eclesiastes 1:14)
Hoje estou leve, sem pretensões filosóficas. Fui interrompido; minha namorada veio contar o sonho dela. (Para quem não estudou Jung: o fenômeno se chama sincronicidade.)
Ela sonhou que estava viajando sozinha e procurava algum lugar. Ela encontrou uma igreja, mas não quis ficar; estava à procura. Pois então, encontrou um grupo de pessoas expulsando um demônio! Risos.
Ela disse que o pessoal estava expulsando na força mesmo, na base do cacete!
Alguém a chamou; ela temeu se aproximar, todavia pensou melhor e foi. Aproximando-se da pessoa que estava com o demônio, ela disse: “pode ir embora, o que você já tinha pra fazer está feito. Vá em paz e tranquilo”. Para surpresa do pessoal no sonho, o demônio foi de boa vontade.
Ri ao ouvi-la. Pensei: tá vendo? Até demônio gosta de ser bem tratado. A humanidade precisa parar com essa coisa de chicote; ora, vamos dialogar. O porrete a gente deixa em último caso.
Para céticos: isto aconteceu exatamente assim. Jung chamaria de sincronicidade. Acontece o tempo todo quando prestamos atenção. Narrei exatamente do jeito que ocorreu. Wu wei é uma das minhas filosofias.
Ah, e passe a olhar com mais atenção à sua própria vida; perceberá que isso acontece o tempo todo. Não é sobrenatural, é só realidade mesmo.
O homem perdeu o contato com o real e passa a achar que o mundo funciona conforme sua mente.
O mundo é tão maluco quanto o mais doido dos malucos.
E isso é bonito! Sem confusão, não teria poesia.
Pense num mundo criado somente pelo viés da engenharia: Cada problema, uma solução. Jesus! Encontraríamos um jeito de explodi-lo. Não fomos criados para tanta perfeição.
É da meleca que sai um bom omelete!
Desejo a você um ótimo dia!
Aqui do Jardim, onde demônio é humanizado e passarinho faz “passarinhagem”.
Espalhe!🐦 → As musas dançam, e dançam muito!
📖 REFERÊNCIAS E CHAVES DO SENTIDO
JUNG E A SINCRONICIDADE: Carl Jung definiu sincronicidade como a ocorrência de dois ou mais eventos que não têm ligação causal entre si, mas que possuem um significado compartilhado. No texto, o pensamento sobre demônios e o sonho imediato da namorada formam essa “coincidência significativa”.
“ESPÍRITO IMUNDO” VS. “DEMÔNIO”: Uma análise linguística e teológica. Enquanto Jesus utilizava termos que remetiam à necessidade de cura e limpeza, o termo “demônio” (do grego daimon) ganhou uma carga de “marketing” e poder que alimenta a vaidade tanto de quem teme quanto de quem (supostamente) assombra.
ECLESIASTES 1:14 (VAIDADE DAS VAIDADES): A citação bíblica reforça que até no plano espiritual a vaidade está presente. O desejo de ser “Diferente da ralé” é uma característica humana que o texto projeta na figura do maligno.
WU WEI (NÃO-AÇÃO): Conceito central do Taoismo. Não significa passividade, mas agir em harmonia com o fluxo natural das coisas, sem forçar. No texto, o “exorcismo” do sonho ocorre via Wu Wei: sem luta, apenas com a palavra certa.
HUMANO, DEMASIADO HUMANO: Referência ao título da obra de Nietzsche, usada aqui para mostrar que as nossas criações (inclusive as sombrias) são espelhos das nossas próprias necessidades e carências.
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Até a próxima! 🌊


