E agora, Drummond? José responde!
🎻A RESSURREIÇÃO DE JOSÉ 💃
Drummond nos “deixou” paralisados. O povo sumiu. A luz apagou. A noite esfriou. O José de 1942 ficou mudo, sem direção. Todavia, o “José” do Ondas cansou da melancolia, pessimismo. E revelou seu verdadeiro rosto: riso, dança, esperança. O segredo? Ele aprendeu a Zorbar.
NOTA: Poema de libertação existencial. Drummond + Kazantzakis + ‘Brasileiragem’.
O novo José responde:
O pensamento que não dança → peso na alma ✅ A resposta para o vazio → movimento ✅ Num mundo de sofrimento, dançar é ato revolucionário. ✅
COLOQUE O SEU CHAPÉU. 🎩 O violino vai chorar. José vai dançar […]
Entre. Dance. Ame!
E agora, José?
E agora, nada.
Eu estou aqui,
sempre estive aqui.
Você que esteve aí
viveu... e daí?
Não riu
e logo partiu!
Meu nome?
Também não é José.
Meu nome é Zorba!
Você, tão culto
Você tão adulto.
Você, o poeta,
Não aguentará o insulto.
Você, o escritor
não conheceu o cantor.
Vinicius de Moraes sofreu,
mas jamais esqueceu.
O grande esplendor
o canto do amor!
Você, sofreu tanto
Aos leitores, mentiu:
“José é triste,
José é deprimido”.
O povo acreditou.
Pensaram, José perdeu
A tal da esperança.
Não, meu caro.
Eu sou Zorba!
Aquele que dança,
aquele que transa,
e vive de esperança.
Aquele que bebe
e toca violino.
Aquele que dança,
forró nordestino.
Oh, homem de óculos,
tire essa máscara!
Coloque um chapéu,
sacode o corpo,
dance, a dança do créu!
Eu vibro em velocidade 5
no ritmo das musas
que sorriem embriagadas,
de tanta festa e folia!
Dançam esperançadas!
Fiquei puto contigo...
Contaste metade do que sou.
Enquanto me perdia na tristeza,
tu fazias poema.
Ora, sou um diabo,
mas sei ser santo.
O que não quero,
é ser defunto,
que viveu e não dançou
o TAO, ritmo do mundo!
Calma, poeta!
Escute a minha voz,
Cabra da peste!
Aqui vos fala:
O famoso José, o Zorba!
Subirei no altar,
beijarei a noiva
antes do padre terminar.
Meu gozo? é Zorbar!
Deixa eu dançar.
Deixa eu viver.
Deixa eu cantar.
Agora, finalmente,
Respondo:
E agora?
DANÇA!
Zorba, para onde?
À esperança!
Este poema dialoga com “E agora, José?” de Carlos Drummond de Andrade (1942) e “Zorba, o Grego” de Nikos Kazantzakis (1946). É também continuação de “Esperançar é Preciso” e “Sun Tzu no Brasil”, textos anteriores deste Substack sobre vitalismo, TAO e brasileiragem.
PS: O dia em que José, o Zorba encontrar o canhão de Nildo Ouriques... tampem os ouvidos!
Estátua de Carlos Drummond de Andrade na praia de Copacabana + José, o Zorba. (IA)
🌊 ENTRE NAS ONDAS!
O mundo quer que você seja um José paralisado. O Ondas de Sentido convida você a Zorbar.
📖 REFERÊNCIAS E CHAVES DO SENTIDO
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (1942): O poema “E agora, José?” é o marco da angústia moderna brasileira. Escrito em plena Segunda Guerra Mundial, retrata o indivíduo isolado, sem fé e sem saída (“José, para onde?”). O texto do Ondas quebra essa “paralisia” histórica.
ZORBA, O GREGO (NIKOS KAZANTZAKIS): Personagem icônico da literatura mundial (1946). Zorba é o mestre da “ação pura”, o homem que ensina o intelectual acadêmico que a vida só faz sentido quando é dançada, sofrida e celebrada intensamente, sem o filtro excessivo da razão.
A “DANÇA DO CRÉU” E VELOCIDADE 5: O uso de referências do funk brasileiro não é gratuito. Elas simbolizam a vibracionalidade alta e a quebra da soberba intelectual. É a “passarinhagem” em sua forma mais urbana e visceral, onde o corpo dita o ritmo da alma.
VINICIUS DE MORAES: Citado como o contraponto a Drummond. Se Drummond é o poeta da pedra e da secura mineira, Vinicius é o poeta do “esplendor” e do canto do amor, que soube “zorbar” entre a diplomacia e a boemia.
O TAO (RITMO DO MUNDO): No taoísmo, o fluxo do universo é um movimento constante. O poema sugere que quem não dança (não se adapta ao fluxo) já está morto em vida (“defunto que não dançou”).
CABRA DA PESTE: A fusão definitiva. O Zorba do Ondas não é apenas grego; ele é nordestino, é carioca, é brasileiro. É a força do “esperançar” que sobrevive à seca e à tristeza.




