Sadhguru, Guerra e Colega do Tatame
O que escrevi antes dos pássaros acordarem — gurus, guerra e uma risada que ficou.
04H56 — MATE, GURU E GUERRA 🧉
Sadhguru → Uma moto pela Índia Milhouse → Risada que ficou 🥋 Ucrânia → Script que não muda Sun Tzu → Conhece o inimigo?!
De uma madrugada silenciosa ao barulho das guerras.
O que escrevi antes dos pássaros acordarem:
Guru indiano leu Sartre ✅
Colega do tatame foi à guerra ✅
Ideologia é fantasia ✅
Mente coletiva vence tecnologia ✅BEM-VINDO. 🌊
NOTA: Reflexão matinal + memória de tatame + geopolítica
Entre! O mate tá pronto. E o seu café? ☕
I. O GURU QUE LEU SARTRE
Levantei-me animado para mais um dia de mate, escrita e reflexão. Tomei um susto! 04h56. Nem os pássaros tinham acordado.
Ultimamente, acordo cada vez mais cedo. Estou envelhecendo ou evoluindo?
Os gurus indianos costumam dizer que quem dorme pouco é porque sabe viver bem. Em outras palavras, respiram melhor e poupam energia.
Não sei, tenho minhas dúvidas. Mas há um guru de quem sou fã — ele diz que dorme 4 horas por noite! Entre nós, brasileiros, são poucos os que o conhecem: o famoso Sadhguru. Personalidade global que carrega o soft power indiano pelo mundo afora.
Passou e passa por todos os lugares, de Harvard a Oxford. Um grande contador de histórias.
Vocês sabiam que até o Alok já o entrevistou? É um guru descolado!
Trajetória do Sadhguru
O início, narrado por ele, é assim: sentou-se para meditar na propriedade rural onde morava e se iluminou. Disse que passou a perceber o espanto que era viver, e tudo o fazia chorar. Lágrimas de blissfulness — ou seja, puro contentamento e êxtase.
Certo dia, Sadhguru sentou para meditar e só se levantou quatro dias depois, o que foi um espanto para a comunidade local onde morava. Daí, vocês já sabem, começaram a chamá-lo de santo, e ele passou a receber todo tipo de pedido.
A situação ficou insustentável — ele só queria contemplar. Então, destemidamente, pegou a sua moto e partiu sem rumo. Andou pela Índia inteira!
O que mais eu lembro? Ah, ele conta que leu literatura ocidental na juventude, principalmente os existencialistas — por essa você não esperava, né? Um guru indiano lendo Sartre.
Após a euforia da iluminação, Sadhguru retorna às raízes e cria a Isha Foundation. É de lá que ele lidera até os dias atuais. Tornou-se uma instituição de alcance global.
Incrivelmente, Sadhguru nunca pisou no Brasil.
Será que ele toparia um mate? Sambaria? O que ele diria de nós?
Enquanto a onda matinal flui sem destino, não pude deixar de pensar em algo que me perturbou semana passada.
II. O COLEGA DO TATAME
Descobri, recentemente, que um antigo colega morreu na guerra da Ucrânia. Poxa vida!
Foi um camarada de treino de jiu-jitsu. Sujeito gente finíssima. Sempre tratou todos com cordialidade.
Nunca vou esquecer um momento: lutávamos intensamente, era o meu auge, e o colega não cansava. E eu estava cansando…
Virei e disse: Pô, você parece não cansar!
Meu apelido era Milhouse.
Ah, Milhouse, é creatina! Dá um turbo!
Rimos bastante.
Foi difícil cair a ficha de que meu colega foi lutar, principalmente numa guerra do outro lado do mundo. Tentei entender o motivo que o levou a se alistar. Não consegui.
A motivação humana está além da nossa compreensão racional.
Uma guerra sem sentido, travada não só por exércitos profissionais, mas por mercenários do mundo todo, além de voluntários.
Vou contar rapidamente minha visão: não sou idealista. Nas relações internacionais, parto da premissa realista — é melhor enxergar o real do que ficar a delirar em fantasias principiológicas. Apesar de, pessoalmente, acreditar em princípios e na importância de um sistema funcional.
Tenho um pensamento assim: idealista de coração e realista na análise.
III. O SCRIPT QUE NÃO MUDA
O conflito foi descrito e previsto desde o século passado. O prof. Mearsheimer alertou, escreveu, deu palestras, etc.
Não é um problema só da Rússia. É também um problema ocidental. No final, todos os grandes envolvidos têm responsabilidades. No entanto, o poder da propaganda ocidental é o que nos chega — sendo assim, quem procurar ler sobre o tema achará que a Rússia é o vilão dos vilões. E, na esfera de influência russa, quem ler sobre o Ocidente achará um outro vilão.
Propaganda é a arte de um Estado sustentar sua narrativa; quando começa a falhar, desmorona.
Quem lembra da Guerra do Vietnã? Quando os americanos descobriram que o número de mortos era elevadíssimo, a propaganda interna ruiu e a guerra teve um fim.
Qual é a leitura do cenário atual?
A Rússia está ganhando territórios, lentamente. As negociações estão travadas, como sempre. A Rússia enfrenta grandes dificuldades financeiras, mas a economia de lá entrou no modo de guerra há muito tempo — conseguirá, portanto, se manter por mais algum tempo.
A aposta ficou grande para ambos os lados. Ninguém quer ceder. Foram bilhões gastos e também gerados. A indústria bélica e financeira lucrou escandalosamente. E os países “paladinos” da justiça também estão envolvidos.
O resultado? Mais guerras para esconder outras guerras.
Eu nem acompanho mais. O script segue o mesmo. Quando mudar o diretor, avisem-me, por favor!
Afinal, ler livros sobre guerra tem suas vantagens. Você aprende o modus operandi da guerra informacional.
Quando comecei a estudar geopolítica, lá no passado, a primeira coisa que se aprende é sobre energia. A base de um Estado é garantir energia barata. No final, estão todos lutando por recursos estratégicos. A ideologia funciona apenas para convencer as populações acerca dos enormes gastos injustificáveis.
Mais um conflito no Oriente Médio.
Uma provocação:
Lá no passado, quando Alexandre, o Grande, invadiu a Pérsia e a conquistou, o líder persa o subestimou. A arrogância de achar que tinha o maior exército levaria os gregos a recuarem.
Errado! E ainda o rei persa, Dario III, sofreu com o sequestro da mulher e da filha durante uma das batalhas — era costume dos persas levarem a família ao centro da guerra.
Esse exemplo ilustra os dias atuais:
Um gigante, arrogante, atacando sem qualquer consideração. O desfecho poderá ser o mesmo que o líder persa sofreu no passado. Uma derrota inesperada. (?)
Como eu vejo o Irã atual? Eles possuem uma hive mind (mente coletiva), é um espaço comum entre quem convive naquele lugar. Isso é crucial para vencer uma guerra. Os vietnamitas tinham isso, os japoneses, os chineses.
A mente coletiva é o diferencial na guerra, é o que mantém o espírito aguerrido. A tecnologia é importante, mas é meio. A inteligência é crucial, mas é informação. A mente coletiva é a força moral do espírito.
Veremos o desfecho desses conflitos. Vão acabar. Todos. Quando acaba o dinheiro, o que prevalece é a motivação. E sabemos que a motivação ocidental tende a ruir. Por quê? São os valores individualistas: quando a coisa aperta, todos buscam sua própria segurança.
Guerra não é sobre poder bélico. É sobre estratégia. Sun Tzu já dizia.
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Lembre-se: Gandhi derrotou um Império sem utilizar pólvora.
🌐 TEXTOS RELACIONADOS
📚 GLOSSÁRIO
Sadhguru (Jaggi Vasudev, 1957)
Guru, místico e autor indiano.
Fundador da Isha Foundation (1992).
Presença global: Harvard, Oxford, Davos, ONU.
Livro principal: Inner Engineering
John Mearsheimer (1947)
Cientista político americano.
Professor da Universidade de Chicago.
Principal teórico do realismo ofensivo nas relações internacionais.
Obra fundamental: The Tragedy of Great Power Politics (2001).
Sun Tzu (~544–496 a.C.)
Estrategista militar chinês.
Obra: A Arte da Guerra — manual de estratégia usado até hoje em negócios, política e guerra.
Tese central: “A batalha se vence antes de ser travada.”
Alexandre o Grande (356–323 a.C.)
Rei da Macedônia. Conquistou o maior império do mundo antigo.
Derrotou Dario III na Batalha de Isso (333 a.C.) e Gaugamela (331 a.C.).
Dario III (~380–330 a.C.)
Último rei do Império Persa Aquemênida.
Tinha o maior exército do mundo conhecido — e perdeu.
No texto: metáfora do poder que se crê invencível e colapsa por arrogância.
🔑 CONCEITOS-CHAVE
Realismo nas Relações Internacionais Escola de pensamento: Estados agem por interesse próprio e poder — não por valores ou ideologia.
Principais autores: Mearsheimer, Morgenthau, Waltz.
Contraponto: idealismo (crença em cooperação, direito internacional, valores universais).
No texto: “idealista de coração e realista na análise” — síntese pessoal do autor.
Hive Mind (Mente Coletiva) Grupo humano que opera com identidade, propósito e resistência compartilhados — como uma colmeia.
Na guerra: povos com hive mind forte resistem mais do que exércitos tecnologicamente superiores. Exemplos históricos: vietnamitas, japoneses, afegãos.
No texto: análise do Irã como potência de resistência baseada em coesão cultural, não em arsenais.
Soft Power Conceito do cientista político Joseph Nye. Poder de influenciar sem coerção — via cultura, valores, narrativa.
No texto: Sadhguru como vetor do soft power indiano no mundo ocidental.
Guerra Informacional Estratégia de conflito que usa narrativa, mídia e propaganda como armas.
Objetivo: controlar a percepção da população — interna e externa.
Modus Operandi da Guerra Expressão latina: “modo de operar”.
No texto: padrão repetível das guerras modernas — narrativa ideológica para justificar disputa por recursos energéticos e estratégicos.
📚 OBRAS
A Arte da Guerra — Sun Tzu (~500 a.C.) Manual de estratégia militar mais lido da história. Leitura obrigatória em academias militares, escolas de negócios e diplomacia.
The Tragedy of Great Power Politics — Mearsheimer (2001) Previu tensão estrutural entre EUA, Rússia e China décadas antes dos conflitos atuais.
Inner Engineering — Sadhguru (2016) Guia de práticas interiores baseado no yoga e na filosofia hindu.
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→ Cada brasileiro que entende o tabuleiro global é uma peça a mais no jogo.




Lendo me lembre que preciso ler a arte da guerra! Separei mas esqueci. É interessante observar o mundo como narrativas né ... deixar de lado a inocencia romantica embreagada kkkk. Aprecio muito seus textos, grande abraço!