Sun Tzu no Brasil
O mestre da estratégia descobriu que não há estratégia, só samba!
🥋 SUN TZU NO PAÍS DO IMPROVISO
Um general milenar. → Sun Tzu.
Um professor → O Taxista.
Um código de honra. → A “Brasileiragem”.
E o momento em que o plano falha, mas o samba flui [...]Crônica de choque cultural. Estratégia + Caipirinha = Sabedoria.
Arte da Guerra Tropical:
O improviso vence a tática. ✅ A linguagem é uma arma perigosa.✅ E o “tchau” brasileiro vai te surpreender!✅
BEM-VINDO AO BAR. 🏮A caninha está servida. O Kung Fu está afiado. E o código de ética → quebrado.
NOTA: A história a seguir possui coloquialidade e leves palavrões.
Entre! Peça uma dose. Cuidado com o país!
Sun Tzu, depois de dominar a si mesmo, orientar todo soberano asiático, ainda tinha desejo. Este maldito problema humano que permanece após qualquer satisfação.
Sendo assim, como era um seguidor e mestre do taoísmo, deixou o fluir levá-lo.
Pegou um barco, então, e partiu.
Sun Tzu apreciava a paisagem límpido azul mesclando entre verdes das florestas tropicais. Pássaros de todas as cores! Aprendeu por onde navegou o grande Camões; surpreendeu-se com as belíssimas negras africanas. E também com os negros: não sabia que alguns tinham três pernas. (Rindo alto!)
Mas enfim, a jornada seguiu. Após três meses, descobriu que o último destino seria o Brasil. Os marinheiros teciam grandes elogios à Terra de Santa Cruz, contavam a história do El Dorado, ou seja, do famoso reino de ouro perdido; dos canibais que não comeram o alemão aventureiro Hans Staden. A prosa fluia de Saci pererê a ET de Varginha... passando pelo ET Bilu e as “estórias” do tio Barnabé.
Sun Tzu, mestre, sábio e prudente, achou melhor aprender um pouco do idioma. Conhecer o inimigo é sempre crucial para ganhar as batalhas.
Mar adentro, dias e noites, e Sun Tzu estudava com a disciplina de um Bruce Lee. Em poucos meses, já arranhava um português “má o meno”. Mas já era o suficiente!
Chegou então ao Brasil! “Uau! Como é enorme e selvagem!” O TAO das árvores era tão diferente que ele chegou a entender o porquê de Lévi-Strauss ter ficado de cabelo em pé ao visitar os Trópicos!
Sun Tzu teve de tomar um táxi. Foi ali seu primeiro contato com o “selvagem”. Todavia, gostou do rapaz; espontâneo e carismático. Este até lhe ensinou a dizer “tchau” na mais alta honra brasileira.
Sun Tzu saiu como se estivesse ganhando um tesouro.
Sun Tzu conheceu de tudo: comeu o famoso arroz e feijão brasileiro com ovo e bife acebolado, além de acarajé moqueca e cuscuz.
Tomou caldo de cana e experimentou a digníssima caipirinha!
Visitou o puteiro ao bar de esquina. E foi aí que a confusão desenrolou...
Sun Tzu, com aquela confiança de um Shaolin, pensou: “conheço bem o terreno, não há o que temer. Dominei todos os modos de batalha!” ‘Chá’ comigo!
Entrou no bar, mas achou prudente perguntar ao dono: “Escuta, quem aqui será o meu inimigo?”
O dono não entendeu nada. “Que diabo é isso que tu tá dizendo, meu rei?”
Sun Tzu explicou que foi avisado de que bar brasileiro era lugar de briga e “bebedagem”.
O dono então disse: “fica de boa, homi! Aqui é tudo parceiro e irmão! Fecha com ‘nóis’, cabra da peste! E tome logo uma caninha arretada!”
Sun Tzu ficou na dúvida, mas acabou relaxando. Pediu chá e recebeu ervas de cana. Pensou: “eita, coisa forte! Mas se é forte, deve ser bom!”
Logo, passou a tarde inteira proseando com os parceiros. Contou histórias da África, Ásia, China e tudo mais. Lembrou-os da lenda (ou fato) da jovem e bela namorada de Camões: Dinamene.
Sun Tzu quis demonstrar o domínio da coloquialidade brasileira: “A mulher, meus chapas, era gostosa! como vocês dizem aqui, além de ter olhos verdes. Mas morreu tragicamente num naufrágio”.
Todos riam, do tão suado português do Sun Tzu, mas adoravam as boas histórias...
O tempo estava escurecendo, então, em despedida, Sun Tzu virou e disse: agradeço a vocês, meus irmãos, que tarde!! Fiquem em paz, filhos da puta!
O quê? Tá pensando o que, “japonêis”? Tá querendo morrê?!
A confusão se armou e Sun Tzu teve que demonstrar alguns movimentos kung “funianos”.
Os bêbados, vendo aqueles movimentos acrobáticos, recuaram. “Calma, ‘japonêis’! Foi mal, foi mal! o senhor é sério demais. Xinga os ‘broda’ e depois não quer confusão...
Sun Tzu voltou-se para o dono do bar e disse: “mas tu não disses que aqui era tranquilo?”
Dono: PORRA! Sun Tzu! Chamar os outros de filhos da puta é quebrar qualquer código da brasileiragem!
Moral da História: Sun Tzu escreveu no “Arte da Guerra 2” que não se pode confiar em nenhum taxista... principalmente se for brasileiro!
Sun Tzu, no retorno ao seu barco, refletiu: o TAO brasileiro funciona... mas de maneiras tortas. Não há estratégia, só improviso. Não há ordem, só samba. E é por isso que a brasileiragem flui...
Sun Tzu já aguarda a sua próxima jornada! Ansioso, para encontrar aquele taxista “filo da puta”.
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📖 REFERÊNCIAS E CHAVES DE GUERRA
SUN TZU E A ARTE DA GUERRA: O general chinês (séc. V a.C.) que ensinou que “a suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar”. No Brasil, ele descobriu que a suprema arte é fazer o inimigo pagar a conta do bar.
LÉVI-STRAUSS E OS TRÓPICOS: Claude Lévi-Strauss, o pai da antropologia moderna, escreveu Tristes Trópicos após sua passagem pelo Brasil. O texto brinca com o “cabelo em pé” do francês diante da natureza selvagem e da complexidade social brasileira.
CAMÕES E DINAMENE: Referência ao poeta Luís de Camões, que viveu no Oriente e se apaixonou por uma chinesa chamada Dinamene. Ela morreu tragicamente em um naufrágio no Rio Mekong; diz a lenda que Camões salvou o manuscrito de Os Lusíadas com uma mão enquanto nadava com a outra, mas não pôde salvar sua amada.
HANS STADEN: O mercenário alemão que foi capturado pelos índios Tupinambás no século XVI. Ele conseguiu fugir.
CULTURA UFO (VARGINHA E BILU): O texto mistura o folclore clássico (Saci) com o moderno. O “ET de Varginha” (1996) e o “ET Bilu” (”Busquem conhecimento”) são ícones do nosso imaginário fantástico contemporâneo.
O “FILHO DA PUTA” PARADOXAL: No Brasil, o insulto pode ser um sinal de carinho extremo ou o início de uma guerra. A crônica explora a malandragem do taxista (o “mestre de línguas”) que sabota a diplomacia de Sun Tzu.
WU WEI E IMPROVISO: Enquanto o Wu Wei taoista prega o “não-agir” ou o agir em harmonia com o universo, a “brasileiragem” prega o improviso — a capacidade de criar ordem dentro do caos absoluto sem seguir manual nenhum.


